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Hoje ainda se pode corrigir um filho?
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| Aparentemente a melhor forma de educar a geração nova é o método preventivo. Usam-se atalhos. Antes que os males possam aparecer e se fortificar, colocam-se dispositivos que tolhem o seu aparecimento. O melhor método para combater um vício é inibir seu começo. Depois que aparecem os sintomas de uma atitude negativa, reorientar o educando é uma tarefa constrangedora, seja para pais, professores ou líderes comunitários. No início da vida o coração de uma criança parece uma cera, que aceita com facilidade as orientações de seus pais e dos mestres escolares. É nessa ocasião que muitos pais perdem chances de ouro para bem educar seus pimpolhos. Entregam-nos à telinha, à influência da “turma”, e se omitem diante da dureza da vida. Mais tarde, no tempo da adolescência, as situações complicam muito. Pela sabedoria do Criador, o ser humano deve, progressivamente, se libertar, para afinal se tornar um adulto responsável. Esse é o caminho normal. Não consigo concordar com afirmações desanimadas de certos genitores e mestres, quando afirmam que “hoje não dá mais”. Por mais cuidadosos que sejam os adultos, por mais que sejam previdentes, por mais que ensinem a “detestar o mal e apegar-se ao bem” (Rom 12, 9), as falhas graves acontecem e podem desembocar na frustração de uma vida. Nesta circunstância corrigir, mesmo correndo o risco de haver uma reação de afastamento, torna-se um ato de amor. É um amor sofrido. “O Senhor corrige a quem ama” (Hb 12, 6). Se até Deus se digna a usar esse método, por que nós não o faríamos? Educar é realmente uma arte difícil. Se alguém me disser que isso hoje é particularmente espinhoso, e que antigamente era bem mais simples, eu ponho as minhas dúvidas. Sempre foi problemático mostrar as atitudes errôneas, que levam uma vida ao fracasso. Quero apenas sinalizar, no entanto, algumas condições permanentes, que dão autoridade para pais, mestres, padrinhos e amigos sinceros, a mostrar às novas gerações o caminho que leva à realização de uma vida, e a ensinar como evitar os caminhos da perdição. Antes de tudo, somente quem ama pode corrigir. Aquele que pretendesse tomar ares didáticos por vaidade, ou por raiva, não teria entendido o procedimento. Da mesma forma eu diria que não entenderam nada aqueles pais que quisessem corrigir seu filho, não tendo eles próprios autoridade moral para dizer coisa alguma. Eles próprios devem “viver na justiça e na verdade” (Lc 1, 75). Corrigir os outros, sem mostrar pela própria vida como deve ser, é querer ‘arrancar o cisco do olho do próximo e esquecer a trave que está no seu” (Lc 6, 41). Ademais, se os tempos são outros, também os métodos educativos devem ser adaptados. Os pais e educadores, para estarem em dia com os tempos modernos, devem fazer cursos e encontros que ajudem a melhorar a oferta de uma formação. A psicologia já sabe mostrar bons recursos educativos que, com vantagem, substituem a vara ou o pito agressivo. A conclusão é que uma “boa prosa”, um livro que se empresta, um bom artigo de uma revista, ficar “enturmado” numa reunião, um curso paroquial do qual se participa, são todos meios válidos para recuperar uma pessoa para a vida plena. O que não deve acontecer é pensarmos que o coração humano, neste século XXI, é fechado para aprender o caminho da plena realização humana. Dom Aloísio Roque Oppermann scj – Arcebispo de Uberaba, MG | |
Porque não conseguimos perdoar os nossos pais?
O porquê de não conseguirmos perdoar os nossos pais é um problema bastante complicado. Ás vezes, vivemos anos e anos com a mágoa de algo que nos fizeram, ou que não fizeram. Quanto tempo de bom relacionamento perdemos com essas intrigas. Quantos abraços desperdiçados, quantos beijos, quantas conversas, quanto carinho e cuidado jogados fora. E, muitas vezes, acabamos nos arrependendo de tanto desperdício tarde de mais, pois, às vezes, essas pessoas tão queridas partem da vida, enquanto, nós, filhos, ficamos com o arrependimento do tempo perdido, do que poderia ter sido e não foi.
A prática de não perdoar vem, muitas e muitas vezes, de um pensamento profundamente egocêntrico. Pensamos, na verdade, que o nosso umbigo é o centro deste imenso universo e que todas as constelações, astros e estrelas devem girar em nossa órbita. Portanto, digo-lhe, caro Sol (você que se encontra na situação), será realmente que seus pais merecem sua desaprovação, merecem sua rejeição, merecem não serem perdoados?
Não esqueça que foram seus pais (ou sua mãe sozinha, ou só seu pai, em alguns casos) que lhe fizeram chegar aonde você está, o dom da sua vida passa também pelo amor deles por você, amor que ainda têm, ou se não têm, um dia tiveram, e você deve ser grato também por isso. Pare pra pensar em tudo que você viveu e perceba as manifestações de amor dos seus pais, mesmo se foram pequenas ou poucas. Não é justo que toda uma história de amor seja jogada por água abaixo por causa de alguns acontecimentos que o magoaram. Sabemos que certas coisas machucam muito, mas, o amor é maior do que tudo isso e tudo pode ser superado através dele.
Sabemos também que há pais que machucaram muito seus filhos e não foram quem deveriam ser, não foram o apoio, o porto seguro, o carinho e a atenção que deveriam ser como pais. É, claro, que é muito difícil para esses filhos conseguirem se reconciliar com esses pais (aliás, alguns pais nem permitem que os filhos se aproximem), mas, esses filhos não devem esquecer que todos são dignos de amor, e que assim como você precisa do amor dos seus pais, seus pais também precisam do seu, mesmo que eles não expressem isso, mas, eles precisam do seu amor pra mudar. Devemos procurar entender também que seus pais, assim como você, tiveram também suas histórias durante a vida, e também tiveram pais que os trataram das mais diversas maneiras. Devemos parar pra refletir sobre nossos pais como indivíduos normais, como nós, que erramos, que lutamos, que caímos, e como pessoas que também devem ter tido uma vida difícil com seus pais. Muitas vezes desconhecemos o modo como nossos pais foram criados, e isso tem muita influência no modo como nos tratam. Há pais que não receberam atenção e amor dos seus pais, foram tratados com indiferença, e para eles é muito difícil dar para os filhos algo que não receberam. Portanto, precisamos, como jovens maduros e de atitude, tomar também as rédias de nosso relacionamento com nossos pais, e procurar, através do amor e da compreensão, nos reconciliar com nossa família, com nossa história e com nossa identidade que também passa por nossos pais.
E não esqueçamos que o perdão é uma graça de Deus e você, como conhecedor do Seu amor e da Sua misericórdia, deve, através do perdão que Deus dá a você sempre, pedir a Ele a força e a coragem de perdoar e buscar cicatrizar as feridas que o relacionamento com seus pais deixou em você. Portanto, caro Sol, esqueça-se do seu umbigo, e lembre-se que seus pais também são frutos de sofrimentos anteriores e esforce-se para sair de si mesmo, dessa mágoa, pedindo a Deus que lhe ajude, para que você possa se abrir para uma vida mais sincera, mais amorosa, mais reconciliada, mais leve, mais feliz.
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